Verdade sem consequência: uma brincadeira para comunicadores da Narrativas

Por Rosa Maria Mattos


Essa é uma desvirtuação total do gênero “matéria” ou “texto de cobertura”. Mas esse texto traz sim, como prometido no título, uma sugestão de dinâmica, o jogo da verdade sem consequência, com perguntas criadas para encontros de comunicadores do terceiro setor: o link está lá no fim do 5º parágrafo. Mas como uma mulher adulta que viveu intensamente sua infância nos anos 90, eu tenho saudade dos cadernos de pergunta! 

Descrevo em poucas frases e convido quem já conhece a relembrar o da sua infância: cadernos espirais em que cada folha trazia uma pergunta – então, imagine um caderno com 50 perguntas.  Qual seu nome? Idade? Time de futebol? Sua música preferida? Que comida você detesta? Você gosta de alguém? Já beijou na boca? O que você acha dos gays? (sic – e a década de 90 era sic e sem noção). Diziam nossas mães que a prática já vinha de antes, faz sentido, um gênero clássico para se conhecer.

Encontro do Narrativas Rio

Agora corta essa cena, chegam os bate-papos, os scrapbooks nos sites, os mircs, icqs, msns, os blogs, o orkut, o facebook, o X, o instagram >>> novos espaços para falar, ser ouvido talvez, nos expôr, conhecer uns aos outros, indo para publicidade política microsegmentada, vídeos horripilantes, dietas mágicas e fascismo. Agora corta essa cena, para uma sala com 20 pessoas da rede Narrativas ao redor de uma mesa espaçosa, cheia de comida boa, bebendo o que quiséssemos, falando e ouvindo. Tem chegado várias pessoas novas e interessantes no nosso grupo de whatsapp do Rio, e muitos não nos conhecíamos presencialmente. 

A chamada da reunião encorajava o convite aos novos, marcada com antecedência exemplar, com um local, horário de início e uma “atividade programada” (veja no fim do texto uma nota sobre metodologia de encontros). E deu certo. Fizemos uma dinâmica que eu conheci como “gráfico de barras humano”, e a proposta foi conhecer em sobrevoo nosso grupo, repetindo algumas das perguntas da pesquisa do Narrativas sobre o perfil de seus integrantes (que está aqui). Percebemos nossas idades, anos de experiência em comunicação, formações profissionais e regimes de trabalho.

Finalmente o link do jogo “Verdade sem consequência”

Depois, a segunda brincadeira. Porque eu comecei lembrando do caderno de perguntas, mas poderia ter começado falando de “verdade ou consequência”. Como quisemos nos poupar de consequências (rebolar até o chão? beijar alguém? não precisava) ficou um jogo só da verdade, em que cada um sorteava um papelzinho com uma pergunta, e respondia. Simples assim, a previsão era que durasse 30 minutos, e durou 3 horas. Às vezes a resposta do colega dava vontade de replicar, ou pedir detalhes, treplicar, levantar e falar algo muito sério, ou dar uma risada e dispersar! Aqui estão as 30 perguntas, feitas por mim, inspiradas por anos de experiência, curiosidade fofoqueira, e, de novo na pesquisa do Narrativas, que buscou identificar temas de inquietações dos comunicadores de causas no Brasil. 

Nota sobre metodologia de encontros

O desejo de compartilhar essa brincadeira é encorajar e animar encontros presenciais entre as pessoas da Narrativas, com menos algoritmos, bilionários e big techs, e mais conversas presentes no tempo e espaço.

Nos últimos anos, aqui no Narrativas Rio, temos variado encontros estruturados e encontros bagunça e desabafo, em restaurantes e bares. Marcar barzinho é mais espontâneo e aprofunda as relações, mas inibe a chegada de quem é novo em um grupo ou tímido. Nossa brincadeira, encontro e noite divertida que eu relato nesse texto, dependeu de algum planejamento e colaboração, paixão e engajamento – em uma conta que vale a pena.

Aprendemos que definir e marcar nosso encontro com antecedência valia a pena, e fizemos isso. A Mariana Oliveira Tozzi costurou nossa parceria com sua organização, a Global Health Strategies (GHS), e ofereceu como local do encontro o escritório super confortável e em um endereço bem acessível, e ainda disponibilizaram comidinhas deliciosas. Eu me ofereci para fazer a dinâmica do encontro por interesse de exercitar meu lado facilitadora, e me diverti criando as perguntas. E no dia e hora marcados, cada um levou sua bebida, montagem e ânimo – e nos despedimos tarde da noite, com o coração quentinho. 

Por mais encontros bons em 2025 – e se você fizer um, depois conta como foi?

O link do “Jogo da Verdade sem consequência” está aqui. 

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